segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ô lá em casa!



Concordo com ele:

BELEZA DEVERIA TER LIMITE!

Vai passar!

abotoadura:  (via dreamandwake)

De longe a pior. De todas às vezes essa foi, certamente, a pior. Ela sabia. No fundo, pessoas a alertavam dizendo pra ir com calma. Ela não queria. Queria era sentir a imensidão de tudo aquilo. Queria ouvir aquelas belas palavras, o bater das borboletas avassalando seu estômago, o gelar correr pela espinha. Era verdade? Acredita que sim. Todo o sentimento ali escrito e cada segundo daquele final de semana eram verdades. Não mais um dos sonhos inventados por amores platônicos ou saudades de um tempo nunca antes vivido. Eram momentos que perdurariam em suas lembranças pelo significado que ganhava. Comparado as histórias vividas até então, aquela foi a mais diferente. A única em que ela não precisou se desfazer em mil partes pra conseguir o que queria. A única história que o sujeito vinha ao encontro do desconhecido, afim de, desvendar cada pedaço escondido. Ela sabia que era perigoso, que logo o controle fugiria de suas mãos e a história seria guardada na caixa de pandora como mais uma história desfalecida. Mas por que não seguir os instintos considerados por tantos errados? Por que querer aquietar o que não sossega? Ela deixou. Foi até onde não deveria com isso. Ela sabia que ele era igual àquele que também lhe tirou o ar e a calma diversas vezes. Ela sabia que a personalidade dos dois e o fim de ambos seriam iguais. Mas a inocência que cheira a leite quis atravessar o mar de fogo. Quis brincar com fogo. A queimadura foi instantânea e a cicatriz mais uma vez se curará com os pores-do-sol. Disseram-lhe que as pessoas têm validade em nossas vidas. Talvez a dele tenha vencido. Talvez o papel dele tenha se cumprido, fazendo-a abrir os olhos, a mente e os ouvidos pra outro mundo lá fora. Instigando-a conhecer, não só aquilo que a cerca, mas aquilo que o cerca. Todo o tesão, a vontade de, finalmente, se entregar a alguém deva ser emudecida. Os pensamentos e aqueles poemas que ela desejava tanto recitar a ele devam ser esquecidos. Ele não a conhece. E, muito provavelmente, não a conhecerá. O tempo acabou e o fato de precisar de mais tempo não muda nada. Ela não queria que a interpretação dele fosse errônea. Mas sensação de que ele sumiria se concretizou. Ela não sabe o que fazer com tantas coisas para dizer gritando em sua mente enquanto gotas de água molham seu rosto. Mas aprenderá.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Respeito aos pais I

Durante muitos anos o respeito aos pais sempre foi primordial dentro de inúmeras famílias. Mesmo que o amor não equivalesse ao tamanho da autoridade instituída nos lares, o ato de respeitar e a consciência de abaixar nosso ímpeto pela figura dos mais influentes perduravam. Até ontem. Raras são às vezes hoje, e maravilho-me, ouço filhos, oriundos de uma educação mais tradicional, pedindo a benção aos seus respectivos pais, avós ou pessoas mais velhas da família. Mesmo tendo alguns parentes bem próximos incluídos nessa excelência de comportamento, eu, particularmente, não recebi essa educação e meu cérebro não aprendeu tal comportamento. No mais, peguei carona através de ensinamentos maternos me dizendo que não se grita com os pais, não os responde e, não menos importante, não se xinga os pais. Aliás, falar palavrão e xingar os pais seria como um atentado. Não nego que com o meu gênio um pouco difícil e minha voz alta, contemplada de berço, em algumas discussões com minha brilhante geradora eu perco a linha. Apesar da audácia de elevar a voz e responder às ideais incabíveis dela eu jamais disse um palavrão ou algum nome feio. Em vinte e dois anos de existência arrisco-me a dizer que dormi brigada com a minha mãe seis vezes, ainda assim correndo um enorme risco de falar demais. Até onde eu sei a maior parte da minha família, apesar de não pedir a benção, respeita seus pais. Alguns idiotas se acham capazes de cometer os atentados ali em cima descritos, mas para esses não vamos perder tempo.

Grande foi minha estupefação ao ver que muitas das minhas amigas não têm o mesmo conceito que eu. Nas primeiras vezes que presenciei esses atritos, - até então eram apenas discussões escandalosas e provocativas por parte das crias - no auge da minha pré-adolescência, parecia como se em algum momento elas fossem se pegar feio. Á partir de então, como nossa mente tem o péssimo costume de normalizar os piores atos cotidianos, gritar com a minha mãe e bater a porta do quarto na cara dela de raiva se tornava natural e simples assim. Algumas boas vezes a bicha se irritou e voou em cima de mim. Felizmente minha submissão me impediu de fazer qualquer coisa, senão segurá-la. De uns tempos pra cá tenho observado que com o avanço da permissividade episódios onde se presencia os "arranca-rabos" tem se tornado freqüente. Telefones desligados na cara, palavrões escabrosos e maldições vão ao encontro das mães, fazendo espantar qualquer ser consciente de coração pulsante proveniente de um ventre. Jamais passei dos limites com a dona lá de casa. E me pergunto em que exatamente difere a educação que minha mãe me deu à educação de outras e outros a ponto de transgredir essas regras pré-históricas de respeito. Quais as diferenças nessas percepções de limites e quais as brechas para que outros tantos cometam até as mais absurdas maldades físicas? OK. Cada ação uma reação. Não discordo da idéia de que existam mães que mereçam ser xingadas, mas ainda sim vá lá. Será que a sua merece? De verdade? Ou apenas os defeitos delas são suficientes para anular os seus e fazer-se os atos terríveis. Respostas pra perguntas semelhantes a essas e mais respostas eu deixo pra depois porque agora a minha mãe está me chamando.

Enquanto isso deixo a célebre frase que pelo menos uma em cada dez mães diz às suas filhas: “Você ainda será mãe”!